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NOVA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE MANO PENALVA NA PORTAS VILASECA ABRE NO PRÓXIMO DIA 26
NOVA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE MANO PENALVA NA PORTAS VILASECA ABRE NO PRÓXIMO DIA 26
14.03.2026

No próximo dia 26 de março, inauguramos a exposição “Manejo”, nova individual do artista Mano Penalva, com texto crítico do curador e historiador da arte Renato Menezes. A mostra reúne um conjunto de objetos, esculturas, instalações e ready-mades que investigam as relações entre técnica, cultura popular, alimentação, linguagem e economia cotidiana no Brasil.

O nome da exposição origina-se da instalação que ocupa o terceiro andar da galeria. Intitulada “Manejo”, a obra é composta por sessenta caixas de feira pintadas, empilhadas como totens, evocando a ideia de manejo como prática que combina repetição, experiência e intuição. Ao organizar esses engradados — objetos cotidianos de circulação e transporte — Mano Penalva transforma um elemento ordinário em suporte para uma leitura simbólica do Brasil, como se recompusesse o país a partir de seus materiais mais comuns.

Nas ripas das caixas surgem pares de nomes pintados em cores vibrantes — José/Macaxeira, João/Maniva, Silva/Aipim, Santos/Mandioca — aproximando duas linhagens fundamentais da cultura brasileira: de um lado, nomes e sobrenomes amplamente difundidos na população; de outro, os diferentes nomes da Manihot esculenta, raiz ancestral cultivada há milênios e base alimentar em várias regiões do país. Ao cruzar nomes humanos e nomes vegetais, a obra conecta alimento, linguagem e identidade cultural, revelando a diversidade de histórias e tradições que atravessam a formação brasileira.

Segundo Menezes, este campo de observação remete à tradição artesanal e dialoga simbolicamente com a figura de Dédalo, artesão responsável pela construção do labirinto que aprisionava o Minotauro. Assim como no mito, as obras de Penalva sugerem que a técnica raramente se desenvolve de maneira direta: ela se constrói em percursos sinuosos, feitos de tentativa, improviso e aprendizado prático.

Entre os demais trabalhos apresentados está “Um tanto e meio” (2020), obra composta por duas latas metálicas de tamanhos diferentes posicionadas sobre uma base de madeira crua. O gesto simples retoma a tradição moderna do ready-made para refletir sobre sistemas informais de medida presentes na linguagem cotidiana. Expressões como “um tanto”, “um pouco” ou “um bocado” aparecem como indicadores flexíveis de quantidade, que substituem a precisão numérica por uma lógica baseada na experiência sensível.

Essa investigação continua em “Dúzia” (2022), instalação formada por prateleiras de madeira e ovos de madeira tingida organizados na parede. Ao deslocar o sentido habitual da palavra “dúzia”, o trabalho transforma um número fixo em um marcador impreciso e contextual, sugerindo formas populares de contagem que escapam à rigidez dos sistemas matemáticos.

A relação entre comida, cultura e linguagem atravessa diversos trabalhos presentes na exposição. Em “Natureza-morta – Jardim sintético” (2016), pratos de barro recebem farinha, carne de charque e rapadura dispostas em uma composição que evoca tanto jardins japoneses quanto práticas rituais de oferenda. O trabalho estabelece um diálogo entre tradição pictórica, cultura alimentar e religiosidade.

Outro destaque é “Peão”, instalação em que uma panela de pressão gira continuamente sobre o próprio eixo, evocando simultaneamente o movimento do pião e o giro do relógio. A obra sugere uma reflexão sobre o tempo da comida, a espera e a urgência da fome, ideia frequentemente associada à frase do sociólogo Herbert de Souza: “quem tem fome, tem pressa”. O trabalho dialoga formalmente com as obras da série “Ventana”, como Coivara, Moenda, Amanho, Maniva e Komorebi, nas quais estruturas circulares funcionam como uma espécie de partitura visual. Nesses trabalhos, o círculo aparece como forma simbólica ligada ao ciclo, seja do preparo do alimento, do trabalho manual ou do tempo, sugerindo também um campo gráfico aberto a múltiplas interpretações.

Ao reunir referências que atravessam diferentes campos da cultura e da experiência cotidiana, “Manejo” propõe uma reflexão sobre formas de conhecimento produzidas no dia a dia e transmitidas pela experiência. Nas obras de Mano Penalva, o gesto manual, o improviso e a sabedoria prática tornam-se ferramentas para pensar sistemas de valor, modos de vida e processos culturais no Brasil. Ao mesmo tempo, o artista mobiliza elementos recorrentes da geometria, como o círculo, a repetição e a organização modular, aproximando práticas populares e cultura material de debates mais amplos da arte contemporânea.

 

Serviço

Manejo – Mano Penalva
Texto: Renato Menezes
Abertura: 26.03 | 19h
Período da exposição: 26.03 – 09.05.2026
Visitação: de terça a sexta, das 11h-19h; sábados, das 11h-17h
Entrada gratuita

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