
Muito felizes em anunciar que a obra “Notas de Esquecimento n.13”, da artista Iris Helena, passa a integrar o acervo da Pinacoteca de São Paulo.
Paraibana radicada em Brasília, Iris Helena (n.1987) desenvolve uma pesquisa que articula dimensões críticas, filosóficas e poéticas em torno da paisagem urbana. Sua prática se destaca pela incorporação de imagens em suportes precários e ordinários, que tensionam ideias de permanência e instabilidade.
A artista acumula importantes reconhecimentos, como o Prêmio FOCO Bradesco, o Prêmio PIPA Online e premiações em bienais e salões nacionais. Sua produção integra coleções relevantes no Brasil e no exterior.
Agradecemos à colecionadora Marcia Lerro Pimenta pela doação da obra durante a Sp-Arte 2026.
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Sobre a obra
Notas de Esquecimento n. 13 integra a série homônima em que Iris Helena investiga, de modo sensível e conceitualmente rigoroso, as tensões entre memória e apagamento, permanência e transitoriedade. Partindo de imagens urbanas captadas em seus deslocamentos [1], a artista constrói composições visuais a partir de post-its – suportes frágeis, cotidianos e destinados, paradoxalmente, a evitar o esquecimento. Como observa Agnaldo Farias, a produção da artista se ancora em uma “dialética entre destruição e construção, lembrança e esquecimento” [2], evidenciando a impossibilidade de fixar plenamente a memória. Em Notas de Esquecimento n. 13, essa condição se manifesta tanto na escolha do material, efêmero e suscetível ao desaparecimento, quanto na própria estrutura da obra, que sugere a instabilidade das imagens e a inevitável erosão das lembranças ao longo do tempo. A obra articula, desta forma, uma reflexão sobre o espaço urbano como depositário de histórias individuais e coletivas.
As cenas representadas não são apenas registros documentais, mas fragmentos de uma vivência íntima, reconfigurados pela artista em um campo visual que oscila entre o reconhecimento e a dissolução. O gesto repetitivo de colar e sobrepor post-its remete à tentativa humana de organizar e preservar experiências, ao mesmo tempo em que denuncia sua precariedade. Inserida em uma prática mais ampla que atravessa fotografia, instalação e apropriação de materiais ordinários, Notas de Esquecimento n. 13 reafirma o interesse da artista pelo peso simbólico dos suportes. Ao transformar objetos banais em portadores de memória, a artista desloca o olhar do espectador para aquilo que, à primeira vista, parece descartável, convidando-o a refletir sobre o valor (e a fragilidade) das narrativas que constituem a experiência urbana e pessoal. Nesse sentido, a obra não apenas evoca a memória, mas encena seu próprio processo de perda, sugerindo que lembrar é também, inevitavelmente, esquecer.
[1] Nesta obra em especial, a imagem apresentada é uma fotografia registrada pela própria artista em 2012 do centro histórico de João Pessoa, sua cidade natal, capital da Paraíba.
[2] A trajetória de Iris Helena tem se afirmado como uma das mais sólidas produções acerca da dialética entre destruição e construção, lembrança e esquecimento, presente/passado/futuro. Seu notável ponto de partida: cenas urbanas estampadas em uma miríade de post-its, as folhinhas de papel auto-adesivas, amarelinhas e rosadas, que obsessiva, compulsivamente vamos fixando em toda parte com a finalidade de evitar o esquecimento, prova que é mesmo provável que não haja solução, que seremos soterrados pela matéria débil e evanescente das lembranças que gostaríamos de reter. [Fragmento de texto crítico de Agnaldo Farias, curador da exposição “Práticas de Arquivo Morto – Notas”, individual de Iris Helena em cartaz na Caixa Cultural de São Paulo entre novembro de 2019 e janeiro de 2020.]


